Ontem estava ouvindo na rádio Eldorado FM (de São Paulo), uma entrevista com Fernando Meirelles no programa "Trip Eldorado" e achei muito interessante uma coisa que ele disse. Me indentifiquei porque a algum tempo atrás, passei pela mesma experiência que ele citou. Após ser perguntado sobre as escolas de cinemas e se tinha alguma dica pra quem quer seguir essa carreira, ele respondeu: ..."as escolas, embora sejam válidas enquanto um primeiro contato com a área, são um pouco precárias em vários sentidos. Não só em relação a equipamento e infra-estrutura, mas porque quem está fazendo o filme não tem muito controle, nem durante o processo e nem no final, do resultado. O que torna o trabalho nem um pouco autoral, porque cada colega vai desempenhar uma função, desde a fotografia até a edição e meio à revelia de quem está dirigindo. Então acaba que você não consegue um produto tão bem acabado por isso. E na publicidade, se consegue não só um exercício mais intenso de produção, pelo volume que se tem de filmes (quase que semanalmente), o que é bom para o processo de aprendizado e desenvolvimento. Mas nela, apesar de se ter um cuidado maior com o acabamento, às vezes é difícil experimentar muito, por estar atrelado à interesses comerciais, o que acarreta num trabalho também não tão autoral. Mas muitas vezes se consegue também fazer coisas bacanas..."
Como disse, vivi coisa semelhante, quando estudei cinema numa escola conceituada aqui em São Paulo. Tínhamos que produzir um curta-metragem e eu era o diretor. Imaginei um monte de coisas, vários planos bacanas, tinha tudo desenhado na cabeça e no papel. Mas ao colocar em prática, me deparei com essas "precariedades" do processo estudantil que ele citou. Primeiro, porque por imposição da escola, só poderíamos usar uma lata de filme 16 mm, que possui apenas 10 min de material bruto. Detalhe, o curta teria no final, aproximadamente 6 min já editado. Ou seja, não dava pra errar e nem repitir planos, como é feito em qualquer filme, dando não só liberdade para o diretor experimentar como errar e corrigir erros. Além disso, teríamos que filmar em apenas uma diária, sendo que se tratava de duas locações diferentes. Isso tudo com uma equipe quem mal ou nunca fez nada. Tudo seguindo exatamente o que o Meirelles citou.
Ou seja, não se pode errar, quando ainda mal se sabe acertar.
Mas como ele mesmo disse também, é necessário fazer, e às vezes é melhor juntar uma equipe e produzir uma idéia que se tem na cabeça, para exercitar, errar e corrigir erros do que não fazer. É assim que se aprende: Fazendo...
E seguindo essa mesma lógica do "tem que fazer", também achei interessante a proposta do cineasta Michael Gondry. com seu novo filme "Rebobine por Favor", onde dois amigos, que trabalhavam numa locadora de vídeos VHS, começam eles mesmos, a "re-filmar" as histórias das fitas alugadas, mas de maneira tosca e caseira.
A proposta de Gondry, no lançamento do seu filme, e para divulgá-lo, foi fazer uma exposição e um workshop, onde os participantes elaboravam e produziam, também toscamente, seus próprios "filmes".
Mas essa proposta dele é bacana porque ele diz da possibilidade de qualquer um poder fazer seus videos, estimulando isso através do seu workshop. E que façam! Não importa como, não importa que seja uma produção barata, mas que deve ser feito, para se exercitar.
Hoje com as facilidades da internet, através de canais como o YouTube por exemplo, onde qualquer um posta videos caseiros de toda espécie, tudo é possível. E o resultado foi que isso gerou uma verdadeira febre na internet, chamada de filmes "Sweded".
Veja este exemplo de filme "sweded":http://www.youtube.com/watch?v=H1B2GRz09hg
O Filme do Gondry original:http://www.youtube.com/watch?v=VYOKFV0XNZA
E o próprio Gondry fez uma versão "Sweded" do próprio filme, inteiramente estrelado por ele: http://www.youtube.com/watch?v=-B0dJQ35rDs
Outra pessoa que também fala de maneira interessantíssima, dessa "revolução" cultural moderna, é o geógrafo Milton Santos em um documentário de Silvio Tendler.
Ele fala da "Nova Globalização", uma nova ordem que surgiu, a partir de uma demanda que vem "de baixo", onde independentemente de qualquer política, poder público ou corporação do seguimento da comunicação, as pessoas comuns produzem, publicam e divulgam trabalhos autorias, opiniões e críticas, sem qualquer controle, o que está causando uma revolução cultural mundial. (Vou entrar em detalhes em outro post também sobre esse assunto).
Mas comecei falando da entrevista do Fernando Meirelles e acabei encontrando um monte de coisas novas pra se dizer. Isso é bom, porque gosto muito de cinema, gosto de falar desse assunto e por isso resolvi montar esse blog, mas quando montei fiquei pensando: "O que dizer?" ou "Por onde começar?"... então vi que o importante é começar. E isso se aplica não só a escrever um blog sobre o assunto, mas a escrever um roteiro ou mesmo produzir um vídeo e um filme.
Porque o mais difícil é começar...
Como disse, vivi coisa semelhante, quando estudei cinema numa escola conceituada aqui em São Paulo. Tínhamos que produzir um curta-metragem e eu era o diretor. Imaginei um monte de coisas, vários planos bacanas, tinha tudo desenhado na cabeça e no papel. Mas ao colocar em prática, me deparei com essas "precariedades" do processo estudantil que ele citou. Primeiro, porque por imposição da escola, só poderíamos usar uma lata de filme 16 mm, que possui apenas 10 min de material bruto. Detalhe, o curta teria no final, aproximadamente 6 min já editado. Ou seja, não dava pra errar e nem repitir planos, como é feito em qualquer filme, dando não só liberdade para o diretor experimentar como errar e corrigir erros. Além disso, teríamos que filmar em apenas uma diária, sendo que se tratava de duas locações diferentes. Isso tudo com uma equipe quem mal ou nunca fez nada. Tudo seguindo exatamente o que o Meirelles citou.
Ou seja, não se pode errar, quando ainda mal se sabe acertar.
Mas como ele mesmo disse também, é necessário fazer, e às vezes é melhor juntar uma equipe e produzir uma idéia que se tem na cabeça, para exercitar, errar e corrigir erros do que não fazer. É assim que se aprende: Fazendo...
E seguindo essa mesma lógica do "tem que fazer", também achei interessante a proposta do cineasta Michael Gondry. com seu novo filme "Rebobine por Favor", onde dois amigos, que trabalhavam numa locadora de vídeos VHS, começam eles mesmos, a "re-filmar" as histórias das fitas alugadas, mas de maneira tosca e caseira.
A proposta de Gondry, no lançamento do seu filme, e para divulgá-lo, foi fazer uma exposição e um workshop, onde os participantes elaboravam e produziam, também toscamente, seus próprios "filmes".
Mas essa proposta dele é bacana porque ele diz da possibilidade de qualquer um poder fazer seus videos, estimulando isso através do seu workshop. E que façam! Não importa como, não importa que seja uma produção barata, mas que deve ser feito, para se exercitar.
Hoje com as facilidades da internet, através de canais como o YouTube por exemplo, onde qualquer um posta videos caseiros de toda espécie, tudo é possível. E o resultado foi que isso gerou uma verdadeira febre na internet, chamada de filmes "Sweded".
Veja este exemplo de filme "sweded":http://www.youtube.com/watch?v=H1B2GRz09hg
O Filme do Gondry original:http://www.youtube.com/watch?v=VYOKFV0XNZA
E o próprio Gondry fez uma versão "Sweded" do próprio filme, inteiramente estrelado por ele: http://www.youtube.com/watch?v=-B0dJQ35rDs
Outra pessoa que também fala de maneira interessantíssima, dessa "revolução" cultural moderna, é o geógrafo Milton Santos em um documentário de Silvio Tendler.
Ele fala da "Nova Globalização", uma nova ordem que surgiu, a partir de uma demanda que vem "de baixo", onde independentemente de qualquer política, poder público ou corporação do seguimento da comunicação, as pessoas comuns produzem, publicam e divulgam trabalhos autorias, opiniões e críticas, sem qualquer controle, o que está causando uma revolução cultural mundial. (Vou entrar em detalhes em outro post também sobre esse assunto).
Mas comecei falando da entrevista do Fernando Meirelles e acabei encontrando um monte de coisas novas pra se dizer. Isso é bom, porque gosto muito de cinema, gosto de falar desse assunto e por isso resolvi montar esse blog, mas quando montei fiquei pensando: "O que dizer?" ou "Por onde começar?"... então vi que o importante é começar. E isso se aplica não só a escrever um blog sobre o assunto, mas a escrever um roteiro ou mesmo produzir um vídeo e um filme.
Porque o mais difícil é começar...